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Presença de Bolsonaro provoca aglomeração em frente ao Palácio do Planalto

Presidente deixou residência oficial e foi à sede do Executivo, onde conversou com apoiadores. Ele voltou criticar isolamento contra o coronavírus e [...]

Por Da Redação em 18/04/2020 às 22:02:33

Presidente deixou residência oficial e foi à sede do Executivo, onde conversou com apoiadores. Ele voltou criticar isolamento contra o coronavírus e defendeu reabertura do comércio. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro aglomerados em frente ao Pal√°cio do Planalto

Reprodução / rede social

A presença do presidente Jair Bolsonaro voltou a provocar aglomeração de apoiadores em frente ao Palácio do Planalto na tarde deste sábado (18).

De acordo com a Organiza√ß√£o Mundial de Saúde e especialistas, aglomera√ß√Ķes facilitam a propaga√ß√£o do novo coronavírus. Para conter a dissemina√ß√£o do vírus, a recomenda√ß√£o é o isolamento social. Segundo dados das secretarias estaduais de Saúde, o Brasil acumula 2.203 mortos e mais de 35 mil casos confirmados da covid-19, doen√ßa provocada pelo coronavírus.

Por volta das 15h, o presidente deixou o Pal√°cio da Alvorada, residência oficial da Presidência, onde mora com a família, e se deslocou até a sede do Poder Executivo.

Ele permaneceu durante cerca de 50 minutos no alto da rampa do Pal√°cio do Planalto conversando com seguran√ßas e acenando para um pequeno grupo que estava junto à grade. Questionado por jornalistas se teria algum compromisso no local, disse que foi ao Planalto para "ver o movimento".

Enquanto Bolsonaro observava a Pra√ßa dos Três Poderes, apoiadores come√ßaram a se aglomerar em frente ao Pal√°cio do Planalto.

Passados os 50 minutos, o presidente desceu a rampa e foi em direção ao grupo, já bem mais numeroso. Eram manifestantes que gritavam palavras de ordem contra o aborto e que se posicionaram atrás da grade de proteção do palácio. Algumas pessoas usavam máscaras, mas a maioria estava sem a proteção.

O presidente Jair Bolsonaro fala a apoiadores em frente ao Pal√°cio do Planalto

Reprodução / rede social

Separado pelas grades, Bolsonaro falou aos apoiadores e fez críticas às medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos que determinaram o fechamento do comércio.

O presidente afirmou que as a√ß√Ķes provocam efeitos negativos na economia, citou a situa√ß√£o de trabalhadores informais e declarou que "milh√Ķes" de pessoas j√° perderam empregos com carteira assinada.

Bolsonaro afirmou que, como a economia n√£o est√° girando, "vai faltar dinheiro" para pagar o funcionalismo público.

Sem citar nomes, o presidente disse n√£o querer acreditar que as medidas de isolamento sejam parte da vontade de "políticos" que, segundo ele, querem "abalar a Presidência da República".

"N√£o v√£o me tirar daqui, com certeza", disse. Nesse momento, apoiadores come√ßaram a gritar palavras de ordem contra o presidente da C√Ęmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O presidente voltou a dizer que a abertura do comércio n√£o depende dele, mas de governadores e prefeitos. "Se dependesse de mim, muito mais coisa estaria aberta".

Bolsonaro lembrou recente decis√£o do Supremo Tribunal Federal (STF), que diz que estados e municípios têm poder para definir regras de isolamento.

Opositor das medidas de distanciamento social, Bolsonaro tem contrariado reiteradamente as recomenda√ß√Ķes de médicos e especialistas. Ele j√° compareceu a feiras, farm√°cia, manifesta√ß√£o e padaria, atitudes que também geraram aglomera√ß√Ķes.

Em 15 de mar√ßo, Bolsonaro participou de uma manifesta√ß√£o em Brasília. Em 29 de mar√ßo, circulou pela cidade e visitou o comércio. No último dia 9, abra√ßou pessoas em uma padaria. No dia seguinte, foi a hospital, farm√°cia e conversou com apoiadores – chegou a limpar o nariz com o bra√ßo e em seguida cumprimentar uma mulher.

No dia 11, também fez fotos e abra√ßou apoiadores durante visita à obra de um hospital de campanha federal em √Āguas Lindas (GO) na companhia do ent√£o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e do governador Ronaldo Caiado (DEM). Essas atitudes provocaram divergências com Mandetta, defensor do isolamento social e demitido por esse motivo. Na cerimônia de posse do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, no Pal√°cio do Planalto, Bolsonaro também ignorou as orienta√ß√Ķes de distanciamento social ao cumprimentar e abra√ßar autoridades.

Na conversa com apoiadores neste s√°bado, Bolsonaro também disse que 70% da popula√ß√£o vai ser infectada pelo novo coronavírus. "Se n√£o for hoje, vai ser semana que vem", declarou.

A conversa com os apoiadores foi transmitida ao vivo pela p√°gina do presidente em uma rede social. O grupo era composto por religiosos contr√°rios ao aborto.

O presidente disse n√£o apoiar a√ß√Ķes de flexibiliza√ß√£o do aborto e parabenizou as pessoas pelo protesto.

Na transmiss√£o, antes de conversar com os apoiadores, Bolsonaro disse que falta humildade para "essas pessoas que est√£o bloqueando tudo de forma radical". Para o presidente, o comércio pode voltar a abrir com os devidos cuidados, como uso de luvas, m√°scaras e √°lcool em gel.

Ele ainda manifestou preocupa√ß√£o com a situa√ß√£o de clubes de futebol. "Tem time aí que vai decretar a falência, time da segunda divis√£o", afirmou.

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Fonte: G1

Tags:   G1
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