Por Wesley Moraes e Onides Bonaccorsi Queiroz
Um dos mais ilustres acreanos de todos os tempos, João Donato desapareceu da cena musical brasileira e mundial nesta segunda-feira, 17, a um mês exato de completar 89 anos, deixando um legado imenso ao patrimônio cultural do país.
Pianista, acordeonista, maestro, arranjador, cantor e compositor, o menino nascido em Rio Branco percorreu o mundo e conquistou prestígio internacional com sua música “simples, sofisticada e um pouquinho diferente”, como ele mesmo definiu.

Filho de João Donato de Oliveira Filho e Eutália Pacheco da Cunha, iniciou seu contato com o mundo musical ainda na infância, com um acordeão, presente do pai. A valsa Nini foi sua primeira composição, quando tinha apenas sete anos de idade.
Mudou-se para o Rio de Janeiro com a família aos 10 anos. Aos 15, já era músico profissional e integrante do grupo de ninguém menos do que o lendário flautista Altamiro Carrilho. Em 1953, fundou o Donato e Seu Conjunto e, no ano seguinte, criou o Trio Donato.

Despontou nacionalmente com o movimento da Bossa Nova, no fim dos anos 50. Projetou-se também no exterior, morou mais de uma década nos Estados Unidos, caminhou pelo jazz, fez MPB de personalidade única, enamorou-se dos ritmos caribenhos, sem se esquecer do samba, tornando-se um reconhecido fusionista de ritmos.
Ao longo da brilhante carreira, lançou 38 álbuns, o primeiro deles, Chá Dançante, em 1956, e o último, Serotonina, no ano passado. Entre as composições mais conhecidas do público estão A Rã, Caranguejo, Simples Carinho, Nasci para Bailar, Lugar Comum e Amazonas.

Atuou com grandes nomes da música, como Dorival Caymmi, Tom Jobim, Gilberto Gil, Paulo César Pinheiro, Sergio Mendes e também Nelson Riddle, Chet Baker, e Herbie Mann, entre muitos outros.
João Donato recebeu vários prêmios. Em 2000, ganhou com o Prêmio Shell pelo conjunto da obra, em 2003 foi agraciado com o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), e em 2004 venceu o Prêmio Tim pelo disco Emílio Santiago Encontra João Donato.
Apesar de ter ido embora de sua terra natal muito jovem, Donato jamais esqueceu suas origens e afirmava que a base da sua musicalidade era a floresta. A última vez que visitou o estado foi em 2013, quando celebrou 80 anos de vida e apresentou, na capital, o show Donato e a Bossa que Vem do Acre. Na época, também foi um dos convidados do Festival Yawa, em Tarauacá.

O Estado homenageou o artista em 2006, com a inauguração da Usina de Arte, em Rio Branco, que ganhou o seu nome. O espaço é referência para a cultura local e importante polo de formação artística.
Com seu espírito talentoso, leve, amistoso, elegante, criativo e intenso, João Donato produziu e deixa uma vasta obra, inspirada pela fina percepção que tinha do seu ofício: “A coisa mais perto do céu que existe é a música”.
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