
A busca por calçados que combinem leveza, amortecimento e estilo ganhou peso nas decisões de compra dos brasileiros e passou a orientar o desenvolvimento de produtos da indústria nacional. O relatório Footwear in Brazil, publicado pela Euromonitor International em janeiro de 2026, aponta que as vendas do setor cresceram em 2025 em um ambiente de maior atenção dos consumidores ao conforto e à sustentabilidade, atributos que, segundo a consultoria, vêm impulsionando a inovação no design dos calçados.
O movimento ocorre em um mercado que ainda avança de forma moderada. De acordo com projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), divulgadas em 15 de abril de 2026, o consumo doméstico deve crescer entre 0,5% e 3,1% neste ano. Mesmo com uma queda de 1,9% na sua produção em 2025, o país ainda produziu 847,5 milhões de pares.
Rotina híbrida muda o papel do calçado
Na avaliação de Renata Scholles, gerente de marketing da Calçados Pegada, a valorização do conforto se intensificou a partir da pandemia, quando o home office em larga escala alterou a relação das pessoas com roupas e calçados. "O consumidor passou a experimentar uma rotina mais informal, focada em bem-estar, que se manteve quando voltou às atividades presenciais. Mas isso não mudou a preferência por estilo e estética; muito pelo contrário, passou-se a exigir ainda mais um calçado que consiga entregar conforto, tecnologia e estilo ao mesmo tempo", afirma.
Para a executiva, o conforto se tornou um dos traços marcantes do consumo de moda no país. "Então, para mim, a grande mudança é essa: o consumidor não quer mais escolher entre estar bem vestido e estar confortável. Ele quer ambos", resume.
Segundo a gerente, a rotina dos brasileiros ficou mais híbrida e flexível, acompanhando as transformações do próprio mercado de trabalho. "O mesmo consumidor pode começar o dia trabalhando em casa, passar por reuniões, resolver coisas na rua, buscar os filhos, ir à academia e ainda sair à noite. E, para uma rotina tão corrida e que passa por tantos ambientes diferentes, o calçado precisa acompanhar essa pessoa", explica. Ela acrescenta que esse cenário se conecta ao comportamento de moda, já que as fronteiras entre formal, casual e esportivo ficaram mais fluidas e misturadas.
O desempenho dos tênis ilustra essa migração. Dados da Euromonitor, repercutidos pelo portal Economic News Brasil, indicam que as vendas da categoria no país somaram cerca de R$ 21,6 bilhões em 2025, alta de 15% sobre 2024, enquanto os modelos casuais alcançaram aproximadamente R$ 7,5 bilhões, o dobro do registrado em 2020. "Isso mostra que o consumidor está procurando calçados mais versáteis, do tipo que consegue transitar com o consumidor ao longo do dia", observa Renata Scholles.
Leveza e amortecimento no uso prolongado
Fundada em 1989 no município gaúcho de Dois Irmãos, a Pegada mantém unidades fabris no Rio Grande do Sul e na Bahia e vem aperfeiçoando tecnologias de conforto já presentes em seu portfólio. De acordo com a gerente, essas soluções deixaram de ser apenas um argumento técnico e passaram a responder a uma necessidade concreta do consumidor. A Levitech, criada com foco na redução de peso, "utiliza um solado de baixa densidade, permitindo calçados que pesam menos de 250 gramas por pé, combinando leveza e conforto com resistência", detalha.
Já a Amortech atua na absorção dos impactos durante a caminhada, distribuindo melhor a pressão exercida sobre os pés. "Cada uma à sua forma, ambas têm o mesmo objetivo: o bem-estar do consumidor ao proporcionar extremo conforto para ele durante o dia todo", sintetiza a executiva.
Para ilustrar o efeito dessas tecnologias, Renata Scholles cita vendedores que passam o expediente em pé, profissionais do varejo, corretores e representantes que alternam visitas ao longo do dia, além de viajantes que caminham por várias horas. "Nessas situações, pequenos desconfortos vão se acumulando ao longo do dia. É aí que atributos como leveza e amortecimento ganham relevância. Um calçado mais leve significa menos peso sendo carregado a cada passo. Um sistema de amortecimento adequado ajuda a absorver parte dos impactos da caminhada", contextualiza.
Na visão dela, a pergunta que aproxima o produto da realidade de quem compra é: "Como eu quero estar me sentindo depois de oito ou dez horas usando esse calçado?".
Mercado em transformação
A gerente pondera que os dados de 2026 revelam uma recuperação ainda bastante desigual. "Então, mais do que falar simplesmente em retomada, eu acredito que estamos falando em um mercado que está se transformando. E, nesse contexto, o nosso desafio é continuar antecipando aquilo que o consumidor vai precisar", avalia.
A executiva aponta três frentes de trabalho: manter os investimentos em tecnologia sem perder de vista as tendências de estilo, unir conforto à estética e ampliar a versatilidade da marca com a exploração de novos nichos, como ocorreu com a linha esportiva. "O consumidor não quer um produto confortável que pareça puramente funcional. Ele quer um calçado que possa fazer parte do seu estilo", diz.
Os levantamentos da Euromonitor e da Abicalçados indicam que, mesmo em um mercado de expansão moderada, atributos técnicos como leveza e absorção de impacto passaram a integrar as primeiras etapas da escolha de um novo par. Presente em mais de 14 mil pontos de venda e com exportações para mais de 60 países, a Pegada projeta a continuidade da demanda por calçados confortáveis masculinos e femininos, com produtos pensados para acompanhar os diferentes momentos de uma rotina cada vez mais híbrida.
Para mais informações, basta acessar: https://www.pegada.com.br/ e https://www.lojapegada.com.br/
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