
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta-feira (8/3), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) elaborou um estudo especial para avaliar, com foco, como está a segurança das mulheres em Minas Gerais.
A pesquisa, realizada pelo Observatório de Segurança Pública com base nos anos fechados de 2022 e 2023, segrega as vítimas que são mulheres em todos os crimes violentos atualmente monitorados e divulgados mensalmente pela Sejusp. A intenção foi conhecer a fatia da participação feminina entre os vitimados no estado, assim como qual natureza criminal ainda é desafio para as forças de segurança. O perfil das mulheres mais atingidas também foi conhecido, como forma de mitigar a reflexão sobre os dados para a elaboração de políticas públicas ainda mais especializadas em Minas Gerais.
De acordo com o estudo, considerando todo o pacote de crimes violentos, há uma redução de 14,7% no total de vítimas do sexo feminino em Minas Gerais, no ano de 2023 comparado ao de 2022. Ou seja, foram 2.824 mulheres vítimas de crimes violentos a menos, entre um ano e outro. O dado passou de 19.199 para 16.375. Vale ressaltar que, entre os 13 crimes classificados como violentos, estão, por exemplo, homicídio consumado e tentado, estupro consumado e tentado, roubo consumado e tentado, extorsão mediante sequestro, sequestro e cárcere privado, entre outros.
O roubo consumado, apesar de ser o crime que mais afetou as mineiras em 2023, com suas vítimas representando 59,7% do total entre os 13 crimes avaliados, também teve uma das maiores quedas em número de vítimas entre 2022 e 2023. Foram 23% menos mulheres roubadas no ano passado, na comparação com 2022 (12.721/9.787).
O estudo aponta ainda que as mineiras foram menos vítimas de crimes como homicídio tentado, sequestro e cárcere privado, estupro de vulnerável tentado, extorsão mediante sequestro, extorsão tentado e sequestro e cárcere privado, no último ano. E mais vítimas, no mesmo período, de crimes como extorsão, homicídio, estupro de vulnerável, entre outros, como aponta o quadro a seguir.

"A base de qualquer política pública de qualidade é a prospecção de cenário, o entendimento numérico, qualitativo e com evidências que indiquem por onde o Poder Público precisa começar a agir ou melhorar o que tem sido feito. Esse estudo chega em ótima hora, no Dia Internacional de Mulher, para comprovar que o Estado olha pelo público feminino e quer apontar caminhos cada vez mais seguros para as mineiras," ressaltou o secretário adjunto da Sejusp, cel. BM Edgard Estevo. Ele salientou as quedas significativas de vítimas mulheres em alguns crimes no estado, mas lembrou que todo o trabalho desenvolvido é para que todos os dados sejam cada vez mais positivos.
Distribuição
A capital, que tem o recorte da 1ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), concentra, numericamente, o maior número de registros de crimes violentos contra mulheres (27,8% do estado). Já a região de Barbacena, com as 61 cidades que compõem a 13ª Risp, está na outra ponta, com 1,61% da concentração das vítimas mulheres em Minas.
Quando a avaliação é feita sob a variação do número de vítimas entre um ano e outro, ou seja, o quanto esse dado caiu entre 2022 e 2023, a região de Divinópolis, com 50 cidades, possui a maior redução: 32,4%, com o número de vítimas de crimes violentos femininas diminuindo de 903 para 610 no período analisado. A região de Pouso Alegre, 17ª Risp, com 72 cidades, fica em segundo lugar, com redução de 26,2% (430/317)
Perfil das vítimas
As vítimas de crimes violentos em Minas têm, em sua maior parte, de 35 a 64 anos (33,4%). A cútis parda é a declaração de 38,9% das ocorrências e, nesta análise de naturezas criminais, do pacote de crimes violentos, 73,3% das vítimas não possuem relação com os autores dos crimes.
Possivelmente pelo crime com maior impacto no pacote de crimes violentos ser roubo, a causa presumida para a prática dos crimes com maior impacto no resultado final é a vantagem econômica (56,2%). Entre os crimes, 49,2% acontecem nas vias públicas e 26,3% nas casas. A arma de fogo é o meio mais utilizado (29,9%).
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